A morte faz parte da existência humana, do seu crescimento e desenvolvimento tanto como o nascimento. É uma das poucas coisas da vida que nós temos a certeza que vai acontecer. A morte não é um inimigo a conquistar ou uma prisão da qual temos que escapar. Faz parte integrante das nossas vidas e dá significado à existência humana. Mas não precisamos nem devemos esperar que ela nos bata à porta para começarmos realmente a viver. Se olharmos para a morte como um amigo invisível, mas um verdadeiros companheiro de jornada, que nos lembra gentilmente que não devemos esperar por amanhã para fazermos o que temos que fazer, então viveremos intensamente a nossa vida muito mais do que simplesmente passarmos por ela, sem medos nem receios. Nunca é tarde para começarmos a viver e a crescer.
A nossa maneira humana de viver é crescendo e a morte é o estágio final do desenvolvimento do ser humano. É importante que deixemos a morte dar um sentido às nossas vidas porque nela reside o significado da vida e a chave para o nosso crescimento.
E se vos estou a dizer isto é porque foi preciso que a morte tivesse vindo ter comigo para que eu me desse conta dos valores para que até então tinha vivido e para que eu percebesse que a vida é uma faísca que cada um de nós é capaz de transformar numa chama ardente que nunca mais se apaga. Dar e amar são os únicos combustíveis que alimentam a intensidade dessa chama. Tudo aquilo que não se der perde-se.
Em 2001, Dailai Lama esteve em Portugal,e eu estive presente numa conferência que ele deu em Coimbra. Naquele tempo, ainda me sentia muito angustiada com a palavra "morte". Já a tinha sentido na pele, pois alguns anos antes tinha perdido um filho! Não há dor maior! Então, perguntei àquele Homem admirável, como deveríamos encarar a morte dos nossos entes queridos. E, ele disse-me, mais ou menos, isto: «Não digas que eles estão mortos, eles apenas dormem. Pois, em breve irão viajar até um lugar, para se prepararem para o teu regresso. E, quando tu chegares àquele lugar, terás à tua espera uma linda festa de boas vindas com aqueles que te precederam. Tem calma, e faz da tua vida um hino ao amor, à compaixão e à amizade entre os Homens, porque quando tu partires para aquele lugar, deixarás na Terra muitos amigos que se hão-de lembrar de ti com alegria e saudade. E, estejas onde estiveres, irás receber esta energia positiva que contribuirá para a tua evolução espiritual. A morte não te matará, porque tu continuarás vivo fora do teu corpo.» Depois de ouvir estas palavras tão lindas, perguntei se o podia abraçar, e ele disse que sim. E, ao abraçá-lo, chorei profundamente. Por fim, disse-me ao ouvido:«Vai em paz, porque os grandes amores (referia-se àqueles que já desencarnaram) nunca se separam!» Foi lindo. Muita paz.
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