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Imagem da netA Nade do blog Orgulho de Ser convidou-me para uma blogagem colectiva " Minha Música, Meu Momento" a que aderi com muito gosto. O momento que trago agora aqui não se reporta a tempo muito feliz da minha vida. Foi escrito no meu Diário quando eu tinha 9 anos e refere-se aos meus 5 anos. Lembrei-me dele porque foi talvez nessa altura que eu comecei a preparar a minha vida, o meu pensamento e a minha alma para ser a pessoa que sou hoje:
«O homem que diziam que era meu pai (...) eu não morria de amores por quele homem que diziam que era meu pai. Toda a atenção da minha mãe ia para ele, estava sempre a falar dele, era com ele que brincava. Eu via-o como um lobo mau disfarçado de homem bonito, que um dia ia comer a minha mãe e estava ali sempre pronta para a socorrer e salvar. Não gostava mesmo nada dele e ainda não gosto.
Havia naquele quarto uma grafonola. Eles metiam lá uns pratos, davam à manivela para aquilo rodar e tocava música.
Às vezes, o meu pai e a minha mãe dançavam. Eu espreitava para os ver dançar. Eles bailavam muito bem. Nas curvas, ela inclinava-se toda para trás e ele agarrava-a pela cintura com força para não a deixar cair. Nessas alturas até me esquecia de que não gostava daquele homem e parecia-me um príncipe com a sua princesa a abrir o baile (...)»
Este pequeno texto faz parte do livro "As Bruxas da Serra da Fóia". Todo o livro tem como base contos de fadas que ajudaram esta menina a crescer. Na vida, nem tudo acaba mal, e a história desta menina e deste pai tiveram um final feliz.
A música que estão a ouvir é o tango "La Cumparsita" que tocava na dita grafonola. Há pouco tempo, depois da minha mãe ter morrido, encontrei os ditos discos quando desfiz a casa.